STF avalia transferência de Bolsonaro para a Papuda; ministros do STM reagem
A possibilidade de o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ser transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, está gerando controvérsia entre autoridades do Judiciário e das Forças Armadas. A medida, que depende da rejeição final dos embargos declaratórios apresentados pela defesa de Bolsonaro, é vista com ressalvas por integrantes do Superior Tribunal Militar (STM).
Posição do STM
Segundo informações da coluna de Paulo Cappelli, do Metrópoles, ministros do STM argumentam que, por ser oficial das Forças Armadas, Bolsonaro deveria cumprir pena em uma carceragem militar. Um dos magistrados afirmou que essa é a prática comum para militares condenados, e que essa visão é compartilhada por outros membros da Corte.
Julgamento no STF
O Supremo Tribunal Federal está em fase final de julgamento dos embargos declaratórios apresentados pela defesa de Bolsonaro, que tenta reverter sua condenação de 27 anos e 3 meses de prisão por liderar uma organização criminosa envolvida na tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023.
O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, já rejeitou os embargos, afirmando que não há omissão ou contradição na dosimetria da pena. O ministro Flávio Dino acompanhou integralmente o voto de Moraes, deixando a decisão pendente de apenas um voto — de Cristiano Zanin ou Cármen Lúcia — para que Bolsonaro seja transferido da prisão domiciliar para uma cela na Papuda.
Argumentos da defesa
Os advogados Celso Villardi e Paulo Amador Cunha Bueno alegam:
Contradição na condenação por autoria mediata nos atos de 8 de janeiro.
Omissão quanto ao cerceamento de defesa.
Falhas na credibilidade da delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
O que está em jogo
A decisão final do STF poderá definir não apenas o destino imediato de Bolsonaro, mas também abrir precedentes sobre o cumprimento de pena por militares em instituições civis. A resistência do STM indica que o caso pode gerar novos embates jurídicos e institucionais.

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